REDCPS - Revista Enfermagem Digital Cuidado e Promoção da Saúde

Número: 2.2 - 5 Artigos

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DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2446-5682.20170008

Artigo Original

Análise da contribuição do enfermeiro do PSF no acompanhamento de exercícios e bem estar de idosos

Analysis of PSF nurses contribution in exercise monitoring and welfare of elderly

Ricardo Eddy Gomes Monteiro1; Larissa Rolim Borges-Paluch2; Meiriana Xavier Vila Nova3

1. Faculdade São Miguel
2. Universidade Federal do Paraná
3. Universidade Federal de Pernambuco

Endereço para correspondência

Ricardo Eddy Gomes Monteiro
Faculdade São Miguel
R. Dom Bôsco, 1308 - Boa Vista
Recife - PE, 50070-070
E-mail: ricardo.eddy@hotmail.com

Recebido em 27/07/2016
Aceito em 17/10/2016

Resumo

OBJETIVO: Analisar os conhecimentos dos idosos na contribuição do enfermeiro em exercícios físicos e bem estar.
METODOS: Aplicação de questionários com cinco alternativas objetivas para 104 idosos com idade 60 a 67 anos, autorizado pelo comitê de ética da Plataforma Brasil (CAAE 49917015.5.0000.5200). Os dados coletados foram inseridos em planilha eletrônica do programa Excel da Microsoft Windows para obtenção dos resultado em porcentagens.
RESULTADOS: Podemos enfatizar que 64,4 % acham necessário a orientação do enfermeiro nos benefícios a saúde; 29% não sabem da contribuição do enfermeiro nas orientações dos exercícios físicos na terceira idade.
CONCLUSÃO: Embora os idosos entrevistados acham necessário a orientação dos enfermeiros no bem estar físicos, não se conhece ainda a relevante participação dos enfermeiro na orientação dos exercícios físicos na terceira idade.

Palavras-chave: enfermeiro, acompanhamento, idosos, exercícios, contribuição.

 

INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (2006) idoso é todo individuo com faixa etária igual ou acima de 60 anos em países desenvolvidos. Acrescenta Maciel (2010), que geralmente estes idosos apresentam comorbidades de caráter não transmissível ao longo deste período da vida, necessitando de um acompanhamento efetivo, estimulando a prática de atividades físicas objetivando proporcionar bem-estar e buscar a qualidade de vida, pois elevará a autoestima, reduzindo a morbimortalidade.

A qualidade de vida na terceira idade deve ser preservada e deve ser estimulada a prática de atividades físicas objetivando trazer benefícios e bem estar ao idoso (CARVALHO et al., 1996).

Ao envelhecer, o corpo humano sofre algumas transformações como: perda da força da musculatura, diminuição da flexibilidade do corpo, da agilidade e da coordenação motora, entre outras. Todas estas alterações fazem parte do processo natural do envelhecimento do idoso, mas podem ser amenizadas através da prática da atividade física.

O aumento no número de idosos instiga o desenvolvimento de estratégias que possam minimizar os efeitos negativos do avanço da idade cronológica no organismo Estas estratégias visam à manutenção da capacidade funcional e da autonomia para que as pessoas possam ter uma vida mais longa e com melhor qualidade. Exercicios físicos acompanhados de profissionais da saúde, irão favorecer ao desenvolvimento e analise de cada organismo(Matsudo et al. 2000).

Entretanto, sabe-se que para ter uma boa saúde existem vários fatores tais como: meio social, condições socioeconômicas, direito ao lazer e o conhecimento sobre a prevenção de agravos e manutenção da saúde. E é importante a atuação do enfermeiro nesse desenvolvimento e equilíbrio na vida de idosos da comunidade. O presente trabalho tem como finalidade analisar os conhecimentos que os idoso tem sobre a atuação do enfermeiro do Programa da Saúde da Familia.

 

METODOLOGIA

Inicialmente o projeto foi registrado na Plataforma Brasil, sendo anexados todos os documentos necessários à sua aprovação, como a Carta de Anuência, o instrumento de coleta dos dados. Após a sua aprovação com a CAAE 49917015.5.0000.5200, o pesquisador agendou com a chefia do serviço o período da coleta de dados, quando foram explicados os objetivos do estudo e solicitado à assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido/TCLE (APÊNDICE B), documento que normatiza a pesquisa envolvendo seres humanos conforme exigência da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.

Os dados obtidos através das entrevistas foram organizados segundo os seguintes.

Tópicos relacionados com as perguntas:Benefícios do exercício físico na terceira idade; Exercícios semanais sob a orientado de um enfermeiro da PSF(programa de saúde da família); opinião sobre o acompanhamento de um enfermeiro do PSF para orientar do bem estar do idoso; enfatizar a contribuição do enfermeiro do PSF nos procedimentos físicos para obtenção da saúde dos idosos.

Os resultados foram inseridos em planilha eletrônica do programa Excel da Microsoft Windows objetivando sua análise dos questionários por meio de dados percentuais e analise desses resultados.

Cada aspectos será exposto e discutido a seguir.

 

RESULTADOS

Amostra deste estudo foi constituída por 104 idosos, sendo, (n=65) 62,5 % do sexo feminino e (n=39)37,5 % do sexo masculino, com idade 60 a 67 anos, cursavam o ensino fundamental incompleto. Em relação ao estado civil, a maioria do sexo feminino informou ser viúva (n=35)33,6 % e apenas (n=30)28,8% casadas, os homens (n=39) % não informaram o estado civil. Todos os voluntários da pesquisa relataram ter filhos (n=104) 100%. No que diz respeito a renda familiar, declaram renda entre 1 à 2 salários mínimos sendo, (n=50) 48 % 1 salário mínimo e (n=54) 52% 2 salários mínimos.

 

ANALISES DOS RESULTADOS

Benefícios do exercício físico na terceira idade

Foi observado na pesquisa cerca de (n=56) 54% idosos não conhece os benefícios do exercício físico na terceira idade, (n=33) 32% responderam simplesmente que melhora a saúde, (n=10) 10% relataram não a importância o exercício físico e (n=5) 5% dos entrevistados desconhecem a importância do exercício físico. Identificando a ideia dos idosos entrevistados que não conhecem os benefícios da atividade física para saúde.

Miranda e Godeli 2003 relatam que atividades físicas é um estilo de vida ativo e a capacidade de executar as atividades da vida diária podem ter impacto positivo no bem estar dos idosos.

De acordo com o Posicionamento Oficial de Exercício e Atividade Física para Pessoas Idosas do American College Of Sports Medicine (ACSM, 2003) a prática da atividade física regularmente é necessário para Idosos principalmente em relação à depressão, ansiedade e estresse que são consideradas questões de saúde pública.

Apesar de já ser comprovado por inúmeros estudos sobre as vantagens das atividades físicas, o sedentarismo tem aumentado muito, contribuindo para acelerar as perdas funcionais na terceira idade. A pratica de exercícios físicos regulares é uma forma de prevenir quedas na terceira idade, idosos sedentários possuem menor mobilidade e maior propensão a quedas quando comparados a idosos que praticam as atividades físicas adequadas (GUIMARÃES, et al., 2004).

Exercícios semanais sob a orientado de um enfermeiro da PSF

Observamos que (n=40) 38,4% dos participantes praticam o exercício sem ter uma frequência, (n=25) 24% dos participantes referiu fazer sempre exercícios, obedecendo a orientações de um profissional da saúde, (n=25) 24 % informaram não realizar nenhuma tipo de atividade física (n=14) 13,4 % idosos informaram que realiza os exercícios por vontade própria mesmo sem orientação.

Há maior probabilidade de que pessoas com maior nível de escolaridade tenham mais acesso a informações sobre exercícios físicos e seus benefícios para a saúde.

Acontece nos idosos a diminuição da agilidade mudando o equilíbrio do corpo, flexibilidade, rigidez da cartilagem e alterações fisiológicas. Essas mudas contribuem para dependência física do individuo provocado pelo envelhecimento. É fundamental atividades físicas auxiliando alteração fisiológica benéficas, qualidade de vida, aumentando a capacidade motora, conduzido e analisados por profissionais adequados da saúde. (TRIBESS, VIRTUOSO JR, 2005).

Equipes de saúde desempenham estudos nos fatores de risco na mutabilidade de quedas, flexibilidade e equilíbrio. A reversibilidade no exercício regula adaptação fisiológica permitindo maior equilíbrio em movimentos. No Brasil, os acidentes de quedas na terceira idade são institucionalizados e não institucionalizados porque são considerados epidemiológicos. (MATSUDO et al., 2000).

Opinião sobre o acompanhamento de um enfermeiro do PSF para orientar do bem estar do idoso

Cerca de (n=67) 64,4 % responderam que é necessário a orientação do profissional para esclarecimento dos benefícios a saúde. Cerca de (n=37) 35,5 % dos participantes referiu a importância para adquirir um melhor resultado. Podemos identificar que os idoso compreendem a importância da orientação de um profissional da saúde para pratica adequada dos exercícios físicos. É fundamental a analise e a orientação do profissional da saúde nas atividades para idosos, relacionando exercícios, hábitos e limites de cada organismo.(MATSUDO et al. 2001).

Enfatizar a contribuição do enfermeiro do PSF nos procedimentos físicos para obtenção da saúde dos idosos

Mostram o percentual de (n=41) 39% dos participantes do estudo que o acompanhamento do enfermeiro é importante para obter resultados positivos, enquanto, enquanto (n=32) 31% não acreditam que contribui, onde (n=30) 29% relataram que não sabia que o enfermeiro contribui nas orientações dos exercícios físicos e (n=1) 1 % informou a importância da orientação deste profissional na saúde evitando erros.

Miranda & Pires (2011) Verificaram que há necessidade de mais investimentos na organização e sistematização do atendimento prestado ao idoso por parte dos profissionais, a fim de propiciar melhorias que promovam e mantenham sua independência nas realizações das atividades da vida diária. Ampliando assim os conhecimentos dos pacientes sobre a relevância do trabalho do enfermeiro no PSF.

Camacho e Coelho (2010) em estudo realizado objetivando analisar a evolução dos programas de atenção à saúde do idoso a partir da produção cientifica indexada na Biblioteca Virtual de Saúde, recomendam que as políticas públicas devam ser constantemente atualizadas e embasadas em evidências científicas, onde a Saúde Coletiva e a Epidemiologia desempenham importante papel, uma vez que, coletam e armazenam informações que podem subsidiar estas mudanças.

 

CONCLUSÃO

O trabalho obtido por meio de questionários aplicados a idoso de um Programa de Saúde da Família, demostra que não se conhece ainda a relevante participação dos enfermeiro e profissionais da saúde na orientação dos exercícios físicos e do bem estar na terceira idade.

Muitos entrevistados não sabem a própria importância do exercício físico na prevenção de doenças, o qual pode ser esclarecido por enfermeiros. Confirmando que ainda se trata de um trabalho da enfermagem que necessita de mais investimento e organização de programas com bem estar dos Idosos.

O enfermeiro ao planejar a assistência garante sua responsabilidade junto ao paciente assistido, elevando a qualidade do cuidado de enfermagem prestado; configurase adequação da atenção primária à saúde, a promoção do envelhecimento ativo e bem sucedido.

 

REFERÊNCIAS

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3. CAMACHO, ALESSANDRA CONCEIÇÃO LEITE FUNCHAL; COELHO, MARIA JOSÉ COELHO. Políticas públicas para a saúde do idoso: revisão sistemática. Rev. Bras Enferm, 2010. Mar-abr; 63(2): 279-84. Brasília, Disponível em 26/09/2014 Acesso em http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=547887&indexSearch=ID DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672010000200017

4. GUIMARÃES L.H.C.T.; D.C.A. GALDINO; F.L.M. MARTINS; D.F.M. VITORINO; K.L. PEREIRA E E.M. CARVALHO. Comparação da propensão de quedas entre idosos que praticam atividades físicas e idosas sedentárias. Rev. Neurociências v12 n2 - abr/jun, 2004. Disponível em: http://services.epm.br/dneuro/neurociencias/Neurociencias12-2.pdf#page=11 Acesso em: 21/10/2014

5. MACIEL, M. G. Atividade física e funcionalidade do idoso. Motriz. Revista de Educação Física, UNESP, vol. 16, n. 4, p. 1024-1032. Rio Claro, out./dez., 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/motriz/v16n4/a23v16n4.pdf Acesso em: 26/09/2014 DOI: http://dx.doi.org/10.5016/1980-6574.2010v16n4p1024

6. Miranda; Lucélia Lourdes & Pires; Vitória Augusta Teles Netto Revista Enfermagem Integrada - Ipatinga: Unileste-MG - V.4 - N.2 - Nov./Dez. 2011.

7. TSUDO, V. K. R., NETO, T. L. B. Efeitos benéficos da atividade física na aptidão física e saúde mental durante o processo de envelhecimento. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. v. 5, n.2, p. 60-76, 2000.

8. MATSUDO, S. M.; MATSUDO, V. K. R.; BARROS NETO, T. L. Atividade física e envelhecimento: aspectos epidemiológicos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v.7, n.1 - Jan/Fev, 2001 DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S1517-86922001000100002

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