REDCPS - Revista Enfermagem Digital Cuidado e Promoção da Saúde

Número: 3.2 - 4 Artigos

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DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2446-5682.20180007

Artigo Original

Procedimento Operacional Padrão aplicado ao ensino de Semiologia e Semiotécnica em enfermagem: Relato de Experiência

Standard Operational Procedure applied to Semiology and Semiotechnics in nursing: Experience Report

Diego Augusto Lopes Oliveira1; Julio César Bernardino da Silva2

1. Universidade de Pernambuco / Universidade Estadual da Praíba, CARUARU - PE, Brasil
2. Centro Universitário Tabosa de Almeida, CARUARU - PE, Brasil

Endereço para correspondência

Diego Augusto Lopes Oliveira
Centro Universitário Tabosa de Almeida (Asces/Unita)
Avenida Portugal nº 584. Bairro Universitário
Caruaru - PE. CEP: 55016-400
E-mail: diegoaugusto.enf@gmail.com

Recebido em 04/04/2018
Aceito em 21/09/2018

Resumo

Relatar a experiência de docentes e discentes na utilização do procedimento operacional padrão no ensino - aprendizagem de semiologia e semiotécnica em enfermagem. Estudo do tipo relato de experiência realizado a partir da vivência em um centro universitário do interior de Pernambuco, Brasil no desenvolvimento do referencial de semiologia e semiotécnica aplicada ao adulto, idoso e mulher no ciclo gravídico puerperal. A utilização do instrumento possibilita orientação do docente e estudante no desenvolver das atividades práticas oportunizando padronização das ações, maior segurança nas ações e respaldo científico. Observa-se ainda melhor rendimento do estudante nas avaliações de característica prática através de métodos específicos de avaliação. A utilização do documento oportuniza maior embasamento do estudante em boas práticas, otimiza o ensino e facilita a aprendizagem. Sua difusão permite melhor contextualização com os cenários de prática e aproximação com a realidade de desenvolvimento do cuidado.

Palavras-chave: Educação em Enfermagem, Estudantes de Enfermagem, Pesquisa em educação de Enfermagem, Padrão de cuidado, Enfermagem.

 

INTRODUÇÃO

Na busca da excelência nas ações em saúde o processo de qualificação e as prerrogativas mercadológicas em saúde impõem aos profissionais a adoção de filosofias e processos com objetivos comuns, bem definidos, padronizados e pautados na eficiência e na segurança das ações aplicadas na atenção1.

A padronização é um termo disseminado no meio empresarial desde a Revolução Industrial, através da substituição da atividade profissional humana, sujeita a erro, por máquinas que garantiam processos uniformes e com redução da falha2. Na área de saúde, especialmente em enfermagem, a preocupação com a falha e a prevenção de erros não é recente, porém, vem sendo disseminada nos serviços desde a publicação de políticas específicas que possibilitam a reflexão sobre o impacto do erro na execução das ações com repercussão para o paciente e no gerenciamento dos seus riscos3.

Refletir sobre as ações executadas e seus riscos é uma preocupação e objeto de construção do corpo de conhecimento de enfermagem ao longo dos tempos, permitindo aplicação do conhecimento científico de forma que haja transmissão dessas informações, ora evoluídas, para as próximas gerações de profissionais4.

O ensino de graduação em enfermagem oportuniza a vivência do estudante em referenciais próprios da semiologia e semiotécnica nas diversas etapas do ciclo vital. Este referencial possibilita o desenvolvimento de habilidades na execução de procedimentos teórico-práticos, necessários a assistência de enfermagem, com foco ao indivíduo, família e comunidade, sendo de fundamental importância para o desenvolvimento das atividades de enfermagem5.

Neste contexto, as aulas práticas no curso de graduação em enfermagem, sejam em laboratório, em ações comunitárias ou em unidades de saúde, visam subsidiar a formação profissional através da construção diária de práticas que culminam com o enfrentamento de problemas e tomada de decisões que estimulam o desenvolvimento de um profissional crítico-autônomo-reflexivo6.

As ações técnicas desenvolvidas pelos estudantes nesses espaços induzem a ação repetida, as vezes por muitas mãos diferentes, com a garantia do mesmo resultado. Esse contexto, bem como a falta de padronização dos procedimentos determinam desorganização das ações ensinadas e praticadas frente a intervenção aos indivíduos os expondo a riscos7. Inserir o Procedimento Operacional Padrão (POP) na rotina de cuidado propicia a racionalização das ações, melhora a condição de planejamento e segurança dos procedimentos oportunizando maior interação com o paciente e aplicação dos ideais de melhoria continua nas ações de enfermagem2.

O uso de novas tecnologias no ensino de enfermagem, especialmente no referencial temático de semiologia e semiotécnica, influencia diretamente na preservação e potencialização do corpo de conhecimento, devendo ser considerado ainda, a aproximação do estudante com a realidade prática de sua área de atuação, possibilitando a identificação de estratégias para melhoria do cuidado e alcance de metas no sentido da manutenção do cuidado seguro ao paciente8,9.

 

OBJETIVO

Relatar a experiência de docentes e discentes na utilização do procedimento operacional padrão no ensino - aprendizagem de semiologia e semiotécnica em enfermagem.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato e experiência com abordagem qualitativa, sobre a utilização de Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) como instrumento norteador para o ensino-aprendizagem nos referenciais temáticos de semiologia e semiotécnica aplicadas a avaliação do adulto, idoso e mulher no ciclo gravídico puerperal em um curso de graduação em enfermagem de um centro universitário do interior de Pernambuco, Brasil, localizado no município de Caruaru durante o ano de 2017. Essa metodologia pedagógica vem sendo incorporada pelos docentes destes referenciais desde o ano de 2015 e sendo utilizadas no ensino de habilidades em laboratório de práticas a estudantes do 3º e 4º módulos do referido curso.

O modelo pedagógico adotado pela instituição de ensino está pautado no currículo integrado que possibilita a inserção do POP como ferramenta de ensino, visto que, esse currículo tem como objetivo a formação de profissionais críticos, reflexivos e que atendam às necessidades do sistema de saúde, além das exigências do mercado de trabalho. Todas as séries do curso são estruturadas em módulos interdisciplinares. Nestes, as atividades se desenvolvem em torno de conceitos chave, de modo a favorecer o alcance de desempenhos essenciais para a formação do enfermeiro10. Ressaltando que não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, por se tratar de um relato de experiência com uma proposta de contribuição a partir da vivência da utilização do POP no curso de Enfermagem de um Centro Universitário.

Os procedimentos de enfermagem descritos nos documentos foram: no referencial de semiologia e semiotécnica do adulto/idoso: aplicação dos métodos propedêuticos; medidas antropométricas; sinais vitais (SSVV); hemoglucoteste (HGT); nebulização (NBZ); administração de medicamentos por via parenteral; curativo simples; ausculta cardíaca; ausculta respiratória; exame físico do abdome e administração de imunobiológicos no Adulto e idoso. No referencial de semiologia e semiotécnica aplicada à saúde da mulher no ciclo gravídico puerperal: verificação de altura de fundo uterino (AFU); palpação obstétrica (manobras de Leolpold); coleta de material para exame citopatológico; exame clínico das mamas (ECM) e consulta puerperal.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Embasamento necessário para construção dos documentos de padronização

A estruturação do documento do POP partiu da experiência dos docentes do curso na prática de padronização de procedimentos em serviços de atenção à saúde e da observação de como estes traziam benefícios na prática de enfermagem nessas instituições11. Esta proposta foi associada a revisão da literatura e alinhadas as boas práticas que nortearam a estruturação do documento nos seguintes tópicos: cabeçalho, na qual o elaborador define a temática a ser detalhada (título do POP), o responsável pela execução do procedimento (profissionais habilitados para a prática) e possíveis locais (serviços de saúde) de realização desta atividade. Resultado esperado: objetivo final da aplicação do POP. Material necessário: insumos apropriados para desenvolvimento da ação prevista. Referencial teórico: breve abordagem teórica direcionada pelas evidências científica atuais na área de enfermagem ou relacionadas as áreas, protocolos e/ou recomendações que subsidiem/norteiem a atividade. Descrição da atividade: detalhamento do passo a passo para realização das ações que culminem no objetivo proposto. Cuidados especiais: avaliação de fatores que podem causar danos ao paciente, culminar erros ou comprometer a excelência na ação. Ações no caso de não conformidades: ações desenvolvidas pelo estudante para correção das possíveis falhas ocorridas durante o procedimento.

A partir da definição dos pontos chave de elaboração foi realizado levantamento da literatura a cerca das boas práticas assistenciais em enfermagem e iniciada a elaboração dos procedimentos descritos. Nessa oportunidade houve colaboração dos monitores dos referenciais lecionados como forma de familiarizá-los com a linguagem da elaboração e aproximar os dados contidos no material a realidade do estudante. Os docentes participantes desse momento se organizaram em uma cadeia de validação dos documentos, onde o primeiro docente em parceria com os monitores elaborou o documento base para o POP através do levantamento das fontes da literatura. Após a elaboração o mesmo foi enviado para um segundo docente, este com papel de validador das informações e apontador de pontos de melhoria e colaboração no corpo do documento. No último passo o documento recebeu avaliação do docente regente da unidade temática relacionada para homologação e disponibilização para os estudantes.

A etapa de elaboração e validação do documento permite que os pontos relacionados a vivência do estudante, durante as atividades para construção de habilidades em prática de laboratório ou nas ações em serviços relacionadas as práticas clínicas tenham raciocínio lógico e norteiem este a efetividade nas ações de enfermagem. Grande parte dos serviços de saúde adotam filosofias e processos com a finalidade de alcance da excelência pautadas na agilidade e produtividade atrelando essas ações a avaliação contínua para que o desempenho seja positivo para experiência dos seus usuários bem como haja redução dos custos agregados a esta ação1.

Utilização do POP como ferramenta padrão para avaliação das habilidades

A incorporação desses documentos possibilitou maior adesão do estudante durante as práticas de laboratório, meio facilitador para estudo individual e recurso pedagógico nas práticas de habilidade com monitores. Outro ponto a ser destacado foi a criação de rotina de utilização ao longo das práticas clínicas em serviços de saúde possibilitando maior preparo do estudante para as atividades nessa modalidade de ensino.

No referido curso a estratégia utilizada para avaliação das habilidades práticas é o exame clínico objetivamente estruturado (OSCE, do inglês, Objective Structured Clinical Examination)12,13, este permite o desenvolvimento de avaliação simulada em ambientes programados com definição de ações que devem ser desenvolvidas pelo estudante com tempo pré-determinado. Para desenvolvimento da proposta avaliativa e orientação dos estudantes quanto as ações a serem realizadas durante a atividade os POPs foram inseridos e utilizados como instrumentos norteadores na criação dos check-list utilizados nas estações avaliativas.

Os check list abriga o passo a passo da ação que deve ser desempenhada durante o tempo previsto na estação de avaliação tendo distribuição de pontuação de acordo com a atitude aplicada pelo estudante, que ao finalizar a ação recebe feedback do docente no tocante ao seu desempenho, as possíveis falhas que cometeu e com a pontuação relacionada a cada item avaliado. Veja a seguir o exemplo no quadro abaixo:

 

 

A utilização desse recurso é bem avaliado pelo estudante haja vista o mesmo referenciar o seu alinhamento com os procedimentos desenvolvidos na estrutura teórica do referencial, em sala de aula, e com as atividades desenvolvidas em laboratório de habilidades. Outro aspecto importante é a autoavaliação realizada pelo discente após a avaliação permitindo o incentivo a maior aprofundamento dos estudos no referencial bem como acionamento das ações de monitoria como forma de melhoria contínua no processo de construção dos desempenhos propostos pela unidade temática. Há avaliação positiva do uso desta ferramenta pelos docentes envolvidos no processo de avaliação das habilidades, haja vista este oportunizar uniformidade do discurso e promover um processo avaliativo mais coerente, sistematizado e sem julgamento de valor.

A utilização deste recurso como respaldo e orientação durante o ensino de habilidades iniciou sua inserção em dois referenciais temáticos nos quais observou-se que houveram avanços na maior abstração dos conteúdos programáticos pelo estudante. Esta variável associada a melhora efetiva do desempenho destes estudantes nas avaliações no estilo OSCE promoveram a sua disseminação enquanto atividade obrigatória nos demais referenciais que desenvolvem atividades de ensino de habilidades, sendo inseridos como documentos norteadores nos referenciais de Semiologia e semiotécnica nas unidades temáticas relacionadas à: atendimento pré-hospitalar nas situações de urgência e emergência (unidade temática 3); enfermagem no cuidado básico a saúde da criança e do adolescente (unidade temática 16); sistematização da assistência de enfermagem ao paciente em situações clínicas e cirúrgicas (unidade temática 21) e atendimento de enfermagem nas urgências e emergências (Unidade Temática 22).

Este componente vem sendo inserido de forma exitosa nas referidas temáticas e proporcionam maior incorporação do estudante à teorização e seguimento das boas práticas definidas enquanto padrão para a habilidade. Estimula, ainda, a pesquisa e produção de conhecimento bem como potencializa a capacidade avaliativa do estudante durante as atividades de prática clínica e estágio curricular por permitir capacidade de senso crítica, ajuste da realidade e desenvolvimento de ações pautadas na qualidade e segurança para os usuários ora por eles atendidos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Utilizar o procedimento operacional padrão agrega ao ensino de semiologia por permitir seguimento de práticas pautadas em saberes atuais e voltados a benefícios ao paciente e profissional de enfermagem. Estimular o estudante, durante o curso de graduação, a seguir práticas padronizadas e embasadas permite desenvolvimento de perfil profissional voltado a segurança, efetividade e eficiência na atenção nos diversos cenários de atuação do cuidar. Torna-se viável o desenvolvimento de estudos quer permitam avaliar, de forma efetiva, a utilização desta ferramenta e seus benefícios na atuação direta aos usuários por estudantes haja vista a sua utilização em serviços de saúde ainda ser reduzida e não haverem evidências científicas palpáveis para o respaldo de sua implementação.

 

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